23.10.18 - Notícia: Bebida da vez, kombucha ganha espaço

23/10/18

Valor Econômico - Jornalista: Cibelle Bouças

No momento em que os consumidores brasileiros buscam aumentar o consumo de alimentos e bebidas mais saudáveis, avança rapidamente no país a produção do kombucha (pronuncia-se combutchá). A bebida foi descoberta na China há mais de 2 mil anos, e é composta por chá preto ou chá verde fermentado com açúcar e suco de frutas. Feita com ingredientes naturais, sem conservantes ou outros aditivos, tem sido apreciada como alternativa ao refrigerante - é gaseificada, contém pouco açúcar e baixo teor de calorias.

O kombucha começou a ser consumido no Brasil de forma artesanal, por pessoas que se interessaram em desenvolver a bebida em casa. Há cerca de três anos, algumas empresas de pequeno porte começaram a industrializar o produto, para venda em mercados regionais. Neste mês, o Kombucha passa a ser produzido por uma indústria de grande porte para distribuição nacional: o grupo Famiglia Zanlorenzi, do Paraná, que produz vinhos e sucos integrais, e é dono da marca Campo Largo.

A Famiglia Zanlorenzi colocou no varejo neste mês Kombucha com a marca Campo Largo, com diferentes sabores. A bebida é feita a partir do chá verde. Giorgeo Zanlorenzi, diretor-presidente da companhia paranaense, disse que começou a desenvolver o produto há um ano. "No mercado americano, as vendas de Kombucha movimentam US$ 1 bilhão por ano. No Brasil, a bebida apresenta um enorme potencial de crescimento", afirmou Zanlorenzi.

O empresário observou que o mercado de refrigerantes tem caído, em média, 5% ao ano em volume de vendas. E os consumidores substituem a categoria por outras bebidas consideradas mais saudáveis, como águas e chás. A Famiglia Zanlorenzi vai começar a distribuição do kombucha pelas redes do Grupo Pão de Açúcar e do Walmart, que já fizeram encomendas do produto. A empresa não divulga projeções específicas para o kombucha, mas espera que a linha contribua para elevar suas vendas de bebidas não alcoólicas em 45% neste ano. Além do kombucha, a Famiglia Zanlorenzi produz sucos e chás, sempre com a marca Campo Largo.

De acordo com a Associação Brasileira de Kombucha (ABKom), existem 40 empresas de pequeno porte fabricando o kombucha. Elas produzem em média entre 2 mil e 5 mil garrafas por mês, ou 25 mil litros mensais, e a venda é feita de forma regional. A estimativa é que esse mercado movimentará, em 2018, aproximadamente R$ 20 milhões.

De consumo caseiro ou restrito a lojas de produtos naturais, o kombucha agora chega a grandes varejistas

Uma das mais "antigas" fabricantes do kombucha é a Companhia dos Fermentados, de São Paulo, fundada há três anos pelo designer digital Leonardo Andrade e pelo físico Fernando Goldenstein Carvalhaes. Os sócios já fabricavam artesanalmente a bebida como hobby, mas as encomendas dos amigos cresceram rapidamente e eles decidiram transformar a atividade em negócio.

"Com dois meses de produção industrial tivemos que mudar de lugar, porque a produção já tinha alcançado 2 mil garrafas, o que esperávamos atingir só após seis meses de operação", disse Andrade. Atualmente, a produção da empresa gira em torno de 10 mil garrafas por mês. O crescimento é acelerado - em fevereiro, o volume somava 6 mil garrafas por mês. "A previsão é chegarmos em dezembro com 40 mil garrafas produzidas mensalmente", acrescentou.

Andrade estima alcançar o patamar de 200 mil garrafas fabricadas por mês em 2019, se mantido o ritmo atual de expansão. Com vendas concentradas em São Paulo, a Companhia dos Fermentados faturou R$ 800 mil em 2017 e prevê fechar este ano com receita de R$ 1,5 milhão.

Outra fabricante da bebida é a Tao Kombucha, de Porto Alegre. A empresa também foi fundada em 2015, pela administradora de empresas Raquel Abegg Leyva e seus três irmãos. A marca Tao é vendida atualmente em 22 capitais brasileiras, segundo a companhia. Gabriel Leiva, sócio e diretor comercial da Tao e irmão de Raquel, disse que as vendas têm crescido 20% ao mês neste ano. A produção gira em torno de 35 mil a 40 mil garrafas mensais.

"Até o ano passado, as vendas eram mais concentradas em redes de produtos naturais, como a Mundo Verde. Neste ano, começamos a entregar para redes maiores, como Angeloni Supermercado, St. Marche e Mercadinhos São Luiz. O mercado está se desenvolvendo mais neste ano", disse Leiva. O empresário disse que a companhia ampliou a produção em quatro vezes em 2018, para atender à demanda das varejistas.