23.10.15 - Notícia: Crise chegou a medicamentos no mês de agosto

19/10/2015

Folha de S.Paulo

Jornalista: Joana Cunha

O setor de medicamentos é historicamente um dos últimos a sofrer os impactos de crises econômicas, mas a sua resiliência começa a dar sinais de fraqueza.

Agosto foi o mês que marcou a chegada da crise aos produtos farmacêuticos, segundo Natanael Costa, presidente do Sincofarma-SP (sindicato dos varejistas).

"No primeiro semestre estávamos com uma situação confortável em relação aos outros segmentos do comércio", afirma Costa.A queda nas unidades vendidas pela indústria para distribuidores e varejistas foi de cerca de 5% em agosto ante julho, desempenho incomum para o mês, de acordo com os fabricantes.

Outra queda mensal havia acontecido em abril, mas ela é considerada sazonal, devido à antecipação de compras por parte do varejo em março para aproveitar os preços anteriores ao reajuste anual liberado pelo governo.

"Nosso setor é o último a entrar e o primeiro a sair das crises. Mas o impacto do dólar é muito forte porque a maior parte da matéria-prima é importada", diz Geraldo Monteiro, diretor da Abradilan, associação de distribuição e logística do setor.Uma possível consequência da atual pressão sobre os custos é a retirada dos investimentos em pesquisa, segundo Reginaldo Arcuri, presidente da FarmaBrasil, que reúne fabricantes brasileiros.

"Não é só o dólar. São muitos choques, como o combustível para transportar mercadoria, a energia, a revisão na desoneração da folha de pagamento etc.", diz Arcuri.

"Já estamos vendo redução nos gastos de marketing. Os investimentos em pesquisa ainda não começaram a ser cortados porque não podem ser descontinuados imediatamente, mas pode vir um corte de até 60% neles se a situação não mudar."