23.04.16 - Notícia: Tomo a pílula do câncer desde 2005

25/03/2016 

O Estado de S.Paulo  - Jornalista: Paula Felix

Doutor em biotecnologia, o pesquisador Marcos Vinícius de Almeida é um dos detentores da patente da fosfoetanolamina sintética, a “pílula do câncer”, que voltou aos holofotes nesta semana após o Senado aprovar o Projeto de Lei que libera seu uso, mesmo sem a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por não ter passado por testes clínicos.

Professor da Universidade Municipal de São Caetano do Sul, Almeida afirma que também toma a substância, mas não contra o câncer. Leia os principais trechos da entrevista concedida ao Estado.

l Um relatório do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) apontou que, em testes in vitro, a fosfoetanolamina não apresentou atividade anticancerígena. Por que isso aconteceu? Cápsulas, da forma que foram entregues, não têm como funcionar em um sistema in vitro, porque elas precisariam ser metabolizadas – sobretudo no fígado – e, aí sim, depois, elas teriam algum princípio de eficácia.

Além disso, a eficácia do produto in vitro se dá com uma concentração cem vezes maior do que a que foi utilizada. Então, é óbvio que não iria funcionar.

l Vocês já sabiam que a substância não apresentava toxicidade ou ficaram sabendo com as pesquisas do ministério? Eu já tomo fosfoetanolamina desde 2005 e nunca apresentou toxicidade.
l O senhor toma a cápsula por ter câncer? Não. Eu tomo como suplemento de cálcio, zinco e magnésio.
Nunca tive um tumor. É um uso meu, não é nada científico, mas é para garantir que a substância realmente não causava efeitos adversos.
l O senhor acha que a pílula pode ser liberada? Vários estudos estão sendo feitos no exterior. Se não for aprovado no Brasil, mas algum estudo lá fora apresentar resultado, que se aprove lá fora e venha para cá como medicamento importado. Se nada for aprovado, para nós, que detemos a patente, isso não influencia em nada. Podemos lançar o produto como suplemento.