23.03.17 - Notícia: Cresce participação de laboratórios nacionais

17/03/2017 

DCI - Jornalista: Jéssica Kruckenfellner

São Paulo - A participação dos laboratórios nacionais nas vendas de medicamentos no Brasil cresceu dois pontos percentuais para 67% em 2016, de acordo com dados da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (Alanac).

"A indústria farmacêutica continuará crescendo neste ano, segundo as nossas expectativas, mas esse aumento deve ser menor do que o visto anos anteriores", afirmou ao DCI o presidente executivo da Alanac, Henrique Tada.

Um estudo divulgado pela entidade mostra uma tendência de crescimento nas vendas de medicamentos de laboratórios nacionais. "Isso se deve a uma taxa de crescimento 93,7% maior entre os biênios de 2014/2015 e 2015/2016, de 1,6% para 3,1%, respectivamente", informou a Alanac, no estudo.

O incremento da participação das indústrias brasileiras no setor pode ser explicada, em parte, pela migração da demanda para o segmento de genéricos e similares, explicou o dirigente da associação.

"A maior parte das categorias de produtos simulares e genéricos são de capital brasileiro e tem [registrado um] aumento do mercado. Porque mesmo as pessoas que estão empregadas, estão com a renda menor e os genéricos e similares são opções para economizar", acrescentou.

Essa diferença no perfil de oferta de produtos aparece nos dados de preço médio dos medicamentos comercializados pelas brasileiras, que são mais baratos em relação a média das multinacionais.

As empresas de capital estrangeiro, entretanto, estão atentas para os movimentos no mercado local e Tada destacou que muitas estão ampliando a presença em genéricos e similares. "As multinacionais não estão focando apenas nos medicamentos de alto valor agregado, tanto que já temos grandes companhias com marcas de genérico", lembrou.

As nacionais, por sua vez, não estão investindo apenas nos medicamentos de menor valor. Ele destacou que, com o crescimento de laboratórios brasileiros sendo impulsionado pela expansão do mercado de genéricos e similares, essas indústrias ganharam musculatura nos últimos anos e agora conseguem direcionar aportes para remédios de alta tecnologia, como os biológicos.

"Neste ano, acredito que possamos ter mais investimentos em parques fabris das empresas nacionais, porque as multinacionais estão cada vez mais deixando de produzir no País por conta dos custos de produção", avaliou.

Para Tada, o segmento de genéricos deve crescer mais que as outras categorias, enquanto os similares podem ser favorecidos pelo avanço nos teste de qualidade, que ajudam a combater o estigma do brasileiro em relação a esse tipo de medicamento.