23.01.18 - Notícia: Apis Flora, a maior em própolis do país, espera avanço de 15% este ano

15/01/2018

Valor Econômico - Jornalista: Bettina Barros

O cenário político incerto e a possível turbulência econômica que ele pode trazer a reboque ainda não são motivos para desânimos com 2018 para a Apis Flora, a maior fabricante de própolis do país. Após registrar crescimento de 12,43% em faturamento líquido no ano passado, a empresa, sediada na cidade paulista de Ribeirão Preto, prevê uma expansão de ao menos 15% neste ciclo - podendo chegar a 18% se conseguir lançar a tempo sua nova linha de produtos terapêuticos à base de própolis.

Com uma ampla carteira de produtos à base de própolis - seu carro-chefe, em forma líquida ou spray -, além de mel, xaropes, óleos essenciais e fitoterápicos, a empresa passou incólume à recessão do país, alinhada com o setor de produtos naturais. Em 2017, teve vendas de R$ 28,5 milhões, com alta de 9,91%. Em 2016, enquanto o PIB recuava 3,6%, a Apis crescia 35%, com receita de R$ 25,3 milhões.

Curiosamente, a alavancada de 2016 esteve associada a outra crise nacional do período: a epidemia de zika e dengue. "Existem trabalhos [científicos] no exterior sobre o efeito da própolis no tratamento dessas doenças. A notícia se espalhou e gerou um boom naquele primeiro trimestre, principalmente aqui e no Nordeste, refletindo no crescimento do ano", diz Raul Ferreira, presidente da empresa.

Os números referem-se apenas ao que a Apis colocou no varejo. Por receio concorrencial, ela não divulga dados de outras áreas, menores mas estratégicas: insumos farmacêuticos, terceirização (para marca própria de terceiros) e exportação. "O Brasil é um mercado já consolidado, mas as exportações têm potencial de expansão", diz Ferreira, que assumiu em dezembro a empresa criada por seu pai, Manoel Eduardo Tavares Ferreira, e o sócio Antonio Carlos Meda, no início dos anos 1980.

As três unidades de produção no interior de São Paulo fabricaram no ano passado 4,9 milhões de unidades (quase 80% própolis), acima da expectativa de 3,8 milhões e das 3,5 milhões de unidades comercializadas em 2016.

Diferentemente do mel, feito a partir do pólen e néctar da flor, e que tem como finalidade alimentar as abelhas, a própolis é uma resina colhida nos brotos das plantas para proteger a colmeia. De cor escura e aspecto de cera, ela veda a entrada de invasores e "esteriliza" o ambiente matando fungos e bactérias. Suas propriedades terapêuticas, como ação anti-inflamatória, chamaram a atenção para o potencial farmacêutico. Mas por ser de origem animal, a própolis não pode ser vendida como medicamento. "O esforço está na força de venda para fazer essa informação chegar ao consumidor, apesar de os nossos produtos serem vendidos em farmácias", diz Ferreira.

Esse esforço terá de ser ampliado diante da expectativa de lançamento de cremes e pomadas que ajudam na cicatrização e em queimaduras, e aguardam o sinal verde do governo para entrar no mercado. Outra aposta está na própolis verde 70, mais concentrado, com início de vendas ainda este mês.

Toda a produção é sustentada pela entrega de cerca de 50 toneladas de própolis bruto por ano. Desde 2000, a matéria-prima é comprada de 20 grupos de apicultores, a maior parte de Minas Gerais, e finalizada em Ribeirão. O trabalho ininterrupto de criação e coleta não cabia mais nos planos de expansão, diz Ferreira, e a empresa decidiu focar em valor agregado.

A Apis Flora tem atuado também em pesquisa para elevar a produtividade dos insetos, de forma a garantir seu suprimento com a queda no número de abelhas, provocada pelo uso intensivo de agrotóxicos, entre outros motivos.