20.02.19 - Notícia: Farmanguinhos apoia inclusão de fitoterápicos no SUS

Por: Alexandre Matos

RedesFito em Foco - Janeiro- Fevereiro/ 2019

O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) começa o ano com boas notícias na área de fitoterápicos: dois projetos apoiados pela unidade são contemplados com recursos do Ministério da Saúde. A verba deverá ser utilizada em três anos para implantação e consolidação de Farmácias Vivas nos municípios de Piacatu (SP) e Betim (MG). O resultado reafirma o compromisso da instituição em contribuir com novas opções terapêuticas a partir do uso sustentável da biodiversidade, alternativas essas pautadas no conhecimento tradicional.

A aprovação dos projetos foi possível graças ao trabalho realizado pelas RedesFito, coordenada pelo Centro de Inovação em Biodiversidade e Saúde de Farmanguinhos (CIBS). Desta forma, enquanto Betim participa das Redes como parceiro, Piacatu já possui um grupo de trabalho das RedesFito para estruturar a fitoterapia na região nordeste de São Paulo e iniciar a implantação de um Arranjo Ecoporodutivo Local (AEPL).

Segundo o engenheiro agrônomo Valério Morelli, que atua no CIBS, os objetivos são distintos em ambos os municípios. Em Piacatu, por exemplo, será implantada uma unidade de Farmácia Viva. Em Betim, que já conta com o programa, pretende-se consolidar a produção da matéria-prima vegetal, de modo a promover autonomia do município na produção de plantas medicinais. Nos dois, a prioridade será controle de qualidade da Farmácia Viva.

“Os recursos serão investidos em quatro eixos principais: manipulação ou produção; controle de qualidade; dispensação; e capacitação. Em todos eles as ações visam à implantação ou consolidação da Farmácia Viva municipal, por meio da compra de equipamentos, materiais de consumo e pagamentos de despesas de viagem dos parceiros”, explica Morelli.

Euclasio Garrutti, prefeito de Piacatu, município a pouco mais de 500 km de São Paulo, explica que um dos motivos para implantação da Farmácia Viva é reverter a grande demanda por medicamentos industrializados. “Para se ter uma ideia, a cidade, apesar de pequena (seis mil habitantes), convive com uma fila enorme de pessoas que vão à farmácia municipal diariamente buscar medicamentos sintéticos. Eu preciso mudar essa cultura de produtos farmacêuticos na minha cidade. Minha mãe, por exemplo, criou 13 filhos usando basicamente plantas medicinais para combater doenças. Todos estamos vivos até hoje”, frisa.

O primeiro ano será dedicado a estruturar fisicamente, à compra dos equipamentos e dos insumos, e à capacitação dos profissionais que trabalharão na produção. No segundo está prevista a produção de pelo menos um fitoterápico. O projeto é liderado pela RedesFito e tem a participação de agricultores da região.

Fonte: Site Farmanguinhos