13.09.16 - Notícia: Venda de remédios passa longe da crise na economia

13/09/2016

Valor Econômico - Anuário Valor 1000  - Jornalista: Stella Fontes


Com taxas de crescimento acima de 10% nos últimos anos, o mercado farmacêutico brasileiro chegou à sexta posição no ranking global, alimentando apostas de que em pouco tempo subiria mais um ou dois degraus. Com a valorização do dólar, porém, acabou perdendo o sexto lugar para o Reino Unido em 2015 e ficou como o sétimo maior do mundo. O fôlego do mercado doméstico, no entanto, deve fazer, mais cedo ou mais tarde, o país alcançar o posto esperado.

A ascensão do Brasil no ranking mundial reflete principalmente o aumento da renda dos brasileiros, a expansão no número de usuários de planos de saúde, o maior acesso a medicamentos e o aumento da expectativa de vida do brasileiro. No geral, considerando-se os três canais de comercialização (os próprios laboratórios, distribuidores e o varejo farmacêutico), trata-se de um mercado que movimenta mais de RS 130 bilhões por ano.

Somente nas redes de farmácias, segundo levantamento do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos do Estado de São Paulo (Sindusfarma) com base em dados da consultoria IMS Health, as vendas chegaram a RS 75,4 bilhões no ano passado, uma alta de mais de 14% na comparação com 2014. Considerando-se os descontos concedidos na cadeia farmacêutica, as vendas somaram RS 44,7 bilhões, alta de 6,5%.

O motor desse crescimento, nos últimos anos, tem sido o segmento de genéricos, que também é responsável pelo maior acesso do brasileiro a tratamentos de saúde por ser mais barato que os remédios de marca. Em 2015, conforme a PróGenéricos, as vendas desse tipo de medicamento chegaram a RS 5,9 bilhões, 11,75% acima do registrado no ano anterior, já considerados os descontos praticados pela indústria, pelos distribuidores e varejistas.

Para 2016, a expectativa é de manutenção da trajetória de alta, com risco de redução de ritmo na esteira da crise econômica e, pela primeira vez em mais de dez a nos, o governo determinou um índice máximo de reajuste acima da inflação, de 12,5%, para os mais de 9 mil medicamentos que têm preços controlados.