10.08.18 - Notícia: CNPq e Finep também alertam para corte de investimentos

10/08/2018

O Globo - Jornalista: Cesar Baima

Uma semana depois de a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) alertar o governo de que pode ficar sem dinheiro para pagar quase 200 mil bolsistas a partir de agosto do ano que vem, ontem foi a vez de o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) avisarem que a também prevista redução no repasse de recursos para 2019 ameaça os seus investimentos em pesquisas.

Em carta aberta e em entrevista ao GLOBO, o presidente do CNPq, Mario Neto Borges, informou que, em 2018, mesmo com cortes, o conselho contou com um orçamento de R$ 1,2 bilhão. Para 2019, a previsão é de R$ 800 milhões, o que obrigaria a suspensão de qualquer investimento em novos projetos e ameaçaria o pagamento de algumas bolsas.

— Além da sobrevivência dos pesquisadores, essas bolsas são fundamentais para a formação de cientistas e de projetos que estão na base da pirâmide da ciência brasileira —destaca. —Se o corte for mantido, teremos um estrago irreversível, pois pesquisas não podem parar.

Já a Finep —empresa pública também vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) — tem compromissos com iniciativas e projetos já aprovados e em curso para o ano que vem da ordem de R$ 1,6 bilhão, mas o orçamento proposto para 2019 para atender a essa parte de sua atuação, as chamadas “atividades não reembolsáveis”, é de menos da metade disso, R$ 746 milhões.

— Isso é uma absoluta falta de discernimento do que é estratégico para o país — afirma Marcos Cintra, presidente da financiadora. — Com isso, a previsão da Finep é, em 2019, fazer só um desembolso dos compromissos já assumidos (tradicionalmente, a Finep faz dois desembolsos para projetos aprovados). O espaço para novas atividades será zero.

‘CENÁRIO DE RESTRIÇÕES’

Em nota, o ministério afirmou que “tem atuado junto à equipe econômica do governo federal para maior disponibilização de recursos para seu orçamento, que são prontamente repassados a seus institutos e unidades de pesquisas”. Segundo o comunicado, “no cenário de restrições orçamentárias” a pasta tem mantido “permanente diálogo com os gestores de suas entidades vinculadas para que os recursos sejam otimizados, minimizando o impacto em suas atividades”.

Para Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), em nome da austeridade o governo está promovendo uma “política de terra arrasada” no setor.

—A situação neste ano já está péssima, e a que estás e configurando para 2019é zele, que classifica o momento da ciência brasileira como “assustador ”.

— A crise atual explica porque tantos jovens brilhantes estão deixando o país. E isso para mim não é uma coisa abstrata, mas uma realidade. Dois pesquisadores do Instituto de Física da UFRJ (onde ele é professor titular) estão saindo de lá agora, um para a Austrália e outro para a Holanda.