09.05.17 - Notícia: Produto ainda não passou pelo crivo da FDA

09/05/2017

Folha de S.Paulo - Jornalista: Mariliz Pereira Jorge

Mais da metade dos Estados americanos legalizou o uso medicinal da maconha. Apenas em sete ela pode ser usada de forma recreativa, e cada um tem suas próprias leis.

Na Califórnia, é preciso de receita médica, mas, ao andar por Los Angeles, é possível ver placas com anúncios de consultas por U$ 40, o que pode garantir acesso a manipulados ou à erva. No Colorado, onde o uso recreativo também foi liberado, há uma enorme indústria de produtos à base da cannabis crescendo.

O Brasil é um dos países em que o uso medicinal só é autorizado mediante pedidos na Justiça. Em novembro, porém, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou critérios para permitir o registro, a venda e o uso de medicamentos à base de maconha.

O supositório de maconha para aliviar cólicas menstruais, lançado nos EUA, ainda não passou pelo crivo do FDA (agência que regula remédios nos EUA) pela falta de pesquisas que comprovem a sua eficácia e segurança.

Sem esse carimbo, muito médicos americanos são bastante cautelosos em indicar o produto. Os relatos das usuárias, contudo, são em sua maioria positivos.

A empresa afirma ainda que não foram observados efeitos colaterais significativos porque os compostos do supositório agem localmente, diferente do que acontece quando a maconha é inalada ou ingerida.

"O supositório usa o componente da maconha que tem efeito analgésico e cuja eficácia foi comprovada contra a dor em casos de câncer. Ginecologicamente, seria uma alternativa aos analgésicos tradicionais, que podem ter efeitos colaterais, desde que a segurança seja estabelecida em estudos clínicos", diz Carlos Alberto Petta, presidente da Sociedade Brasileira de Endometriose.

A indicação da dosagem é variável e, segundo o site da empresa, depende da intensidade da dor.

Fumar maconha teria o mesmo efeito? Não. "A concentração dos ativos na fórmula é para efeito analgésico. Além disso, ele é absorvido diretamente na mucosa vaginal e funciona localmente", diz Petta.