08.02.19 - Notícia: Lactobacilo reduz inflamação intestinal

Correio Brasiliense - Jornalista: Indefinido

29/01/2019 - Um estudo da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) em parceria com a Embrapa identificou que um micro-organismo utilizado no leite de cabra como probiótico tem potencial de proteger o intestino contra lesões, em caso de doenças inflamatórias do órgão. A pesquisa foi realizada em camundongos e, segundo os autores, se o resultado for confirmado em humanos, a substância, chamada EM1 107, poderá ser uma alternativa ao tratamento da doença de Crohn e da retocolite ulcerativa.

Crônicos e sem cura, esses males estão associados à desregulação do sistema imunológico, que passa a atacar o próprio organismo, como se estivesse combatendo um agente externo. As causas exatas das doenças inflamatórias intestinais (DII) são desconhecidas, mas se sabe que elas têm relação com suscetibilidade genética e fatores ambientais, além da dibiose intestinal, ou seja, o desequilíbrio da flora bacteriana do órgão. Quem sofre desses problemas tem a mucosa afetada por substâncias inflamatórias liberadas pelas células de defesa. Há períodos em que a doença fica ativa, e outros nas quais entra em remissão. Atualmente, o tratamento é profilático, e o paciente precisa usar anti-inflamatórios, corticosteroides e moduladores do sistema imunológico, o que nem sempre é eficaz.

“Portanto, é de grande interesse estudar alternativas terapêuticas efetivas para redução dos sintomas inflamatórios, entre os quais incluem-se as bactérias probióticas”, explicam os autores no artigo, publicado na revista Journal of functional foods. De acordo com os cientistas, diversos estudos demonstraram efeitos benéficos dos probióticos em modelos animais com DII. “Em geral, observou-se redução de marcadores pró-inflamatórios, melhora no estresse oxidativo, redução das lesões da mucosa e aumento na produção de ácidos graxos de cadeia curta”, relatam.

Até hoje, os probióticos mais estudados para esse fim são o Bifidobacterium e os lactobacilos. Agora, pela primeira vez, os pesquisadores da UFPB e da Embrapa avaliaram os efeitos de uma cepa de lactobacilo, o Lactobacillus rhamnosus EM1107, no intestino de roedores desenvolvidos para exibir doença inflamatória intestinal. A escolha pelo micro-organismo se deu devido a resultados positivos em testes realizados anteriormente, in vitro. Nos animais, o probiótico isolado ou adicionado ao queijo de cabra reduziu as lesões e melhorou o quadro da DII. Os níveis de substâncias inflamatórias, como citocinas, nos tecidos dos animais também diminuiu, assim como o estresse oxidativo.