04.10.18 - Notícia: Uva ajuda a deter o câncer de pulmão

04/10/18 

 Correio Braziliense - Jornalista: Indefinido

Uma das frutas mais populares pode se transformar em nova arma para o combate ao câncer de pulmão, a principal causa de mortes por tumores malignos em todo o mundo. Pesquisadores suíços descobriram que o resveratrol — substância presente na casca e na semente da uva — ajuda a exterminar o tumor. Em testes, o composto foi administrado em camundongos e reduziu significativamente o tamanho dos cancros. Os resultados foram publicados na última edição da revista especializada Scientific Reports.

Os cientistas analisaram, ao longo de 26 semanas, quatro grupos de ratos: o primeiro não foi submetido ao tratamento experimental, o segundo recebeu apenas o carcinógeno (célula cancerígena) encontrado na fumaça do cigarro, o terceiro foi exposto tanto ao carcinogênico quanto ao tratamento, e o quarto recebeu apenas o tratamento.

“Observamos a diminuição de 45% na carga tumoral por animal no terceiro grupo, ou seja, nos ratos tratados. Eles desenvolveram menos tumores e de menor tamanho que as cobaias não tratadas”, explica, em comunicado, Muriel Cuendet, autora do estudo e pesquisadora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade UNIGE.

Os pesquisadores também testaram o poder preventivo da substância presente na uva e perceberam que as cobaias tratadas com ela e, depois, expostas a cancerígenos não desenvolveram a doença. “O resveratrol pode, portanto, desempenhar um papel preventivo contra o câncer de pulmão”, ressalta a autora.

Melhor administração

A equipe havia tentado o mesmo experimento anteriormente, mas não chegou aos resultados de agora devido à forma de administração do composto. Quando ingerido pelas cobaias, o resveratrol é metabolizado e eliminado em poucos minutos, não tendo, dessa forma, tempo para atingir os pulmões.

“Por isso, nosso desafio foi encontrar uma formulação em que o resveratrol, que é pouco solúvel em água, pudesse ser solubilizado em grandes quantidades para a administração nasal. Essa formulação é aplicável em humanos e permite que o composto atinja os pulmões”, explica Aymeric Monteillier, cientista da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Ciências UNIGE e também autor do estudo.

Após a administração nasal, a concentração de resveratrol nos pulmões foi 22 vezes maior do que quando a substância foi administrada oralmente. A equipe de pesquisa planeja, agora, se dedicar a encontrar um biomarcador que possa contribuir para a seleção de pessoas elegíveis para tratamento preventivo com a substância.

Segurança

Além dos resultados promissores, o fato de o resveratrol ser uma molécula bem conhecida e tolerada por humanos deixa os cientistas animados quanto à possibilidade do uso clínico da substância. Hoje, ele é usado em suplementos alimentares, o que significa que nenhum estudo toxicológico adicional será necessário para a comercialização como do composto para tratamento preventivo do câncer.

Alguns obstáculos mercadológicos, porém, precisarão ser enfrentados. “Essa descoberta é, infelizmente, de pouco interesse econômico para os grupos farmacêuticos. A molécula é, de fato, simples e não patenteável, e os estudos de prevenção do cancro exigem um acompanhamento ao longo de muitos anos”, lamenta Cuendet. Ainda assim, a cientista acredita que a pesquisa merece continuidade, com foco tanto no tratamento quanto na prevenção do câncer de pulmão.


Nosso desafio foi encontrar uma formulação em que o resveratrol, que é pouco solúvel em água, pudesse ser solubilizado em grandes quantidades para a administração nasal. Essa formulação (…) permite que o composto chegue aos pulmões”

Muriel Cuendet, autora do estudo e pesquisadora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade UNIGE